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Sinhá Moreira – Uma mulher à frente do seu tempo

Por Eliza Correa | 16 de julho de 2018

Não é preciso olhar para muito longe para se ter um exemplo de mulher forte no nosso país. Na região do sul de Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Santa Rita do Sapucaí, a presença e feitos de Luzia Rennó Moreira podem ser exemplos da força de vontade e espírito visionário de uma mulher em uma época tradicional.

Conhecida como Sinhá Moreira, ou Dona Sinhá, a jovem nascida no ano de 1907 teve uma ótima formação educacional e aos 22 anos se casou com seu primo, o diplomata Antônio Moreira de Abreu. Teve a oportunidade que poucos tinham na época, principalmente mulheres. Ela conheceu muitos países – México, Estados Unidos, Portugal, Bélgica, China e Japão – e por lá observou as mudanças e avanços que a tecnologia estava fazendo no mundo, mas não no Brasil.

Sinhá Moreira era rica, mas ao contrário da elite da época, ela não pensava em utilizar seu dinheiro somente para seu benefício, já naquela época ela tinha a consciência social de que era necessário incentivar o desenvolvimento da sua região. Assim, quando retorna para o Brasil em 1942, vai para a sua cidade natal e pode desenvolver sua vocação para filantropia.

Após uma visita ao ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), decidiu que a sua ação seria voltada para a eletrônica. Dessa forma, queria criar em Santa Rita do Sapucaí um curso que permitisse aos jovens ingressarem de forma completa no mercado de trabalho, após o fim de seus estudos, suprindo a falta de mão de obra nessa área no Brasil. Buscou a ajuda de professores em São Paulo e no restante de Minas Gerais, a fim de conseguir o suporte necessário para colocar seu projeto em ação – feito que ela conseguiu.

Colocando esse sonho em prática. Em 1959 foi inaugurada a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE), sendo a primeira escola de eletrônica do Brasil e da América Latina, e a administração desse centro foi entregue aos padres jesuítas. Infelizmente, Sinhá Moreira faleceu em decorrência de um câncer e não pôde ver a primeira turma de sua escola se formar, ainda em seus momentos finais ela pensou em seu sonho, deixando boa parte de sua fortuna para manter a ETE.

Rachel de Queiroz, escritora brasileira, escreveu o seguinte sobre Sinhá Moreira: “Na sua modéstia, na sua simplicidade, Dona Sinhá Moreira dá um lindo quinau nos nossos ricaços de vistas curtas, que cuidam só de servir o dinheiro para luxos de novo-rico, e exibições no El morocco e no Elephant Blanc. Milionário brasileiro ainda não aprendeu que, no mundo de hoje, o rico tem de se fazer perdoar pela sua riqueza, suprindo, com iniciativas de cultura e assistência social, as lacunas do serviço público. E então aqui, onde o imposto de lucros extraordinários não funciona, e o imposto de renda só onera realmente os assalariados, eles deviam, mais que nenhum outro, pensar um pouco nos problemas de seu país.” (Raquel de Queiroz. Revista “O Cruzeiro”, 14/03/1959)

Percebe-se que Dona Sinhá mudou o destino de sua cidade, que se tornou o Vale do Silício brasileiro, o centro do Vale da Eletrônica, onde há mais vagas de empregos do que mão de obra, causando um grande avanço para a tecnologia brasileira e mudando o destino de milhares de pessoas que por ali passaram para estudar. Além disso, é um exemplo de altruísmo, onde não usou sua fortuna somente para benefício próprio e futilidades, mas utilizou deste para tornar sua cidade, e consequentemente país, em um lugar melhor.

Para quem quiser saber mais sobre o Vale da Eletrônica, segue o link para uma reportagem sobre sua história e avanço

https://www.youtube.com/watch?v=T54fR7c-5Hs&feature=youtu.be

 

Nota Empreendescola: Assim como Sinhá Moreira vislumbrou um futuro mais próspero e quis trazer para o interior as grandes inovações que ela pôde ver em vários lugares do mundo, nós do Empreendescola também temos esta missão: levar capacitação e empoderar o jovem do interior.